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sábado, 12 de outubro de 2019

Evento da PM em SP tem vaias a Doria e gritos de 'mito' a Bolsonaro


Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi recebido aos gritos de "mito" na formatura de sargentos da Polícia Militar em São Paulo, na manhã desta sexta-feira (11), o governador paulista João Doria (PSDB) foi alvo de vaias da plateia formada por familiares dos formandos. É a primeira vez que os dois dividem o palco após intensa troca de farpas, numa antecipação da eleição de 2022, quando ambos pretendem concorrer à Presidência.

No mês passado, Bolsonaro afirmou à Folha de S.Paulo que Doria é uma "ejaculação precoce". Já o governador passou a dizer que não é bolsonarista, embora tenha adotado o mote "Bolsodoria" para se eleger no segundo turno da eleição no ano passado. Dias antes, Bolsonaro havia acusado o tucano de ter "mamado nas tetas do BNDES" no governo do PT, em referência à compra de jatinho a juros subsidiados do banco. Doria rebateu afirmando que nunca precisou mamar em "teta nenhuma".

Nesta sexta-feira, em discurso, Doria saudou Bolsonaro e buscou uma posição de alinhamento ao governo federal. "Fiz questão de estar aqui presente para mostrar ao presidente que o estado de São Paulo é parceiro das boas ações do Brasil. [...] Nós estamos alinhados com todas as boas iniciativas do governo federal", disse. Doria foi vaiado em diversas ocasiões, incluindo o início do discurso, mas terminou aplaudido -ainda que em intensidade menor do que Bolsonaro.

"Quero voltar a repetir: em São Paulo não fazemos oposição ao Brasil", disse o tucano. O governador chegou a ser interrompido por aplausos quando citou Bolsonaro e também houve entusiasmo da plateia quando ele elogiou a PM de São Paulo. O presidente em seu discurso, por sua vez, exaltou sua fala na ONU e atacou a esquerda. Foi aclamado aos gritos de "mito". Apesar da recente troca de farpas, o clima no palco entre Bolsonaro e Doria foi ameno. Os dois ficaram lado a lado e trocaram cochichos.

Doria é alvo dos policias militares no estado por ter prometido aumento de salário, o que até agora não ocorreu. O governador acertou que até o final deste mês apresentará um calendário para o aumento do salário. O deputado estadual Major Mecca (PSL-SP), que representa a categoria, foi ao evento com uma camiseta que costuma usar em protesto a Doria: "policial nota 10, salário nota 0".

A presença de Doria foi criticada pelo senador Major Olímpio (PSL-SP), aliado de Bolsonaro. Ele se mostrou surpreso quando a imprensa o avisou da presença do governador. "Eu espero que não, acho que Doria não vem. A ausência dele vai me alegrar", disse. "Ele é o governador, vai estar só assumindo uma condição de comandante em chefe da Polícia Militar", completou o senador do PSL.

Por Folhapress

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